25 março 2013

30 de Maio

Peter Murphy playing Bauhaus, Lisboa *

Nick Cave, Primavera, Porto


Seriously, WHAT'S WRONG WITH YOU PEOPLE???!












* curiosamente, data única, sem um 31 no Porto a permitir um 2 em 1 'imbicto'.
Read more

18 março 2013

De génio e de louco todos temos um pouco

Eu, de manhã, no bloco (insert excited OMG voice): ehhhhh que fixe o canal inguinal!!!! Ahhhhh a linha pectínea!!! Oh pah que fixe! Posso tocar?



Eu, ao fim da tarde, em casa (insert almost puking voice): mas porque é que eu fui comprar polvo? Como é que agora o meto na panela. Ai.... Que impressão. Espera, cena de servir a salada. Ah, bolas, está na máquina. Acho que vou virar o saco e pronto. Uuuurrggghhhhhhh os tentáculos a mexer, parece que está vivo, coitadinho.


Cada um como cada qual.
Read more

12 março 2013

A convenção da organização do tempo

Há alguma convenção não escrita que dita que as pessoas só podem querer organizar o seu tempo nos 2 primeiros meses do ano?

É que a avaliar pela parca oferta de agendas nas voltas que eu dei - e ter-me rendido a uma que não me enche as medidas - começo a achar que sim.



(Eu sei que normalmente é coisa para se comprar no inicio do ano, mas caramba!, e os indecisos como eu? Lá por me ter organizado so far no agora-demasiado-lento-telemóvel não tenho direito a uma agenda gira qb, como eu quero por dentro e que caiba no bolso da bata? Puff..,)
Read more

28 fevereiro 2013

Primeiras conclusões deste ano comum

Este ano,"para onde vais agora?" e "estás em quê agora?" vão ser frases muito ouvidas. Junte-se-lhe o clássico "E então, já sabes o que é que queres?" e já dá conversa para uma semana.
Read more

13 fevereiro 2013

The piano has been smoking - not me*

Aqui há uns tempos deixei de fumar. Foi em 2012, ainda (sempre achei que essas decisões de ano novo, tomadas em dias de bebedeira/ ressaca, estão por definição condenadas ao fracasso).

Já lá vão, repito, uns tempos. E sinto a falta de um cigarro com quem sente a falta de uma má companhia. O nosso convívio fez-me mal, levou-me por maus caminhos - but boy!, did we have fun! Como só os fumadores, passados ou presentes irão perceber - nada faz companhia como a confidência de um cigarro.

Deixei o vicio perdido algures em Berlim. A mesma Berlim dos maus caminhos de Bowie, sem qualquer simbolismo. Uma Berlim cheia de neve, mais condizente com a melosa Fade into You dos Mazzy Star do que com excentrismos camaleónicos. Enterrei, por assim dizer, sob uma camada de gelo aquele que foi, durante mais de uma década (autch!) um dos meus maiores prazeres.

Gostava de ter só coisas boas para dizer - o ganho em anos de vida, o dinheiro que não é mal gasto, o cheiro que já não me persegue que nem núvem escura à volta de um qualquer desenho animado. - E, no fundo, é só isso mesmo, só coisas boas para partilhar - que o resto são cumplicidades pintadas em argolas de fumo, confidências esquecidas num qualquer papel ou na esquina suja de um café e a voz rouca do Tom Waits a arranhar aquele pedaço de alma, atirado para um canto, onde descansa agora uma cadeira vazia.

* e é das lascas dessa mesma cadeira que salta o título do post, adaptação descarada e a servir a circunstância do tema the piano has been drinking not me - Waits, once again.
Read more

11 janeiro 2013

There and back again

Vim aqui espreitar e parece incrível que o último post tenha sido escrito em Setembro (!!!) - realmente o tempo voa...

O exame lá correu. Nas últimas semanas estava mais do que pelos cabelos, o que prejudicou um bocado. Não espero uma nota brilhante, mas também não espero uma nota má - e ainda estou a tentar perceber ao certo onde é que isso me deixa.

Passeei um bocado por aí depois do exame. Foi bom, tive uma aterragem no mundo "normal" facilitada pela beleza de alguns dos sítios e pela generosa quantidade de neve que me foi recebendo. A História de uma cidade e as estórias de outra conseguiram despertar o interesse do meu pobre cérebro em modo esponja encharcada, mas livros é que nem vê-los.

É isso mesmo, é incrível porque sempre gostei imenso de ler e senti bastante a falta durante o "retiro", mas a verdade é que desde Novembro que ainda não consegui ler um "livro, livro". Li, sim, alguma banda desenhada - um Universo para o qual despertei há pouco tempo, quando percebi que nem tudo em BD gira à volta de super heróis.

Entretanto comecei o ano comum. O hospital onde estou é mais pequeno do que estou habituada, mas perto de casa, pelo que tinha sido a minha 1a opção. Ainda estou a tentar perceber o que é suposto fazer e não fazer. Ainda estou indecisa entre o medo e a impaciência que é esta coisa de estar à espera de ser "médica a sério", nunca saber ao certo se vou ficar desapontada com yet another história clinica na variante nota de entrada ou se vou ficar frente a frente com um doente sem saber o que lhe fazer - e enquanto espero para ver no que dá, sinto na pele os efeitos de meses de pausa.

Tenho tempo livre - muito. E ando a pensar como ocupá-lo. Para já, quando chego a casa fico mesmo a vegetar no sofá - o acordar de madrugada é coisa para me deixar de rastos.

Uma coisa é certa: tenho emprego e um ordenado de montante incógnito ao fim do mês. E o ano novo desta fez foi mesmo vida nova.




Read more

15 setembro 2012

Carta ao Passos Coelho - Pedro para os amigos


Amigo Pedro,

Participei hoje numa das manifestações mais ingratas que uma cidadã pode fazer - informar o Governo, que nos tem dado tanta austeridade e irresponsabilidade neste período tão dificil da nossa história, que os seus tempos de governação terminaram.

Não era o que gostaria de te poder dizer, e sei que não era o que gostarias de ouvir.

O nosso país é hoje um exemplo de determinação e força, e esse 
é o resultado directo dos milhares que saíram à rua. Porém, para alguns Portugueses, em particular os do Governo, essa manifestação não gerou aquilo que mais precisam neste momento: manter o tacho. Quem está nessa situação sabe bem que este é mais do que um problema financeiro - é um drama pessoal e partidário, e as medidas porque todos esperamos representam um passo necessário e incontornável no caminho de uma solução real e duradoura.

Vejo todos os dias o quanto já estamos a trabalhar para corrigir os vossos erros, e a frustração de não poder poupar-te a estas manifestações é apenas suplantada pelo orgulho que sinto em ver, uma vez mais, do que são feitos os Portugueses.

Queria escrever-te hoje, nesta página pessoal, não como mulher, mas como cidadã e como amiga, para te dizer apenas isto: esta história não acaba assim. Não baixaremos os braços até dares o teu trabalho por feito, e nunca esqueceremos que os nossos filhos nos estão a ver, e que é por eles que continuaremos, hoje, amanhã e enquanto for necessário, a sacrificar tanto as pernas e a garganta para recuperar um Portugal onde eles não precisarão de o fazer.

Obrigadinha e Boa viagem,

Mx3

(Como devem ter percebido, é uma adaptação livre do texto que Passos Coelho deixou aos portugueses no seu facebook)
Read more

03 setembro 2012

Um aparte sobre o estado do país

Houve uma altura em que Portugal era um país porreiro - bom sol, belas praias, gastronomia do melhor, custo de vida aceitável, serviços com qualidade qb, segurança. Era um país no qual ter qualificações era praticamente sinónimo de emprego - e a falta das mesmas não era uma condenação.

 Hoje dei por mim a concluir que, excepção feita aos colegas de faculdade, 99% dos meus amigos está desempregado, tem emprego precário ou uma remuneração muito aquém daquilo que as suas qualificações fariam prever. Todos licenciados, alguns doutorados. Na maior parte dos casos, pessoas esforçadas, responsáveis, competentes. E os meus amigos são uma pequena amostra do mundo - ou do país, neste caso.

 O desemprego tem aumentado a olhos vistos e o que este governo faz? Piora a qualidade de vida dos cidadãos - ele é portagens, impostos, taxas, serviços a fechar, até a televisão pública está em perigo. Não acredito em governos milagrosos, capazes de salvar os países de todas as crises, mas numa altura em que Portugal parece um Titanic a afundar - porra!, bem que escusavam de o fazer afundar mais depressa! E não me venham cá com desculpas troikianas - isto roça o criminoso.



(É por estas e por outras que pessoas com bom emprego e que passam a vida a queixar-se me fazem sempre ter espasmos na mão com a vontade de espetar uma estalada.)
Read more

28 agosto 2012

A apendicectomia - I

Fiz uma apendicectomia!
Agora que estão todos a pensar "Olha-me esta, não lhe chega o Harry, ainda faz pausas para ir para o bloco", deixem-me refrasear: fizeram–me uma apendicectomia.

Pois é, numa destas belas noites/madrugadas, adormeço, como é normal, no sofá a estudar e depois fui para a cama, tendo acordado, pouco depois, com umas dores dorzecas abdominais difusas, blá-blá, vómitos, posterior localização à FID etc e tal, de maneira que lá fui eu a toque de caixa para o Hospital mais próximo, com o P a conduzir a uma velocidade acima do no limite legal, que aí a coisa já tinha agravado e estamos a falar de uma Sra. Dor, do pior que este corpinho já conheceu.

Na recepção:
- E então porque é que vem cá?
- Apendicite

No gabinete:
- Então o que é que se passa?
- Estou com apendicite
- Então e está tão nervosa porquê?
- Olhe, eu acabei agora o curso de Medicina e estou a estudar para o Harrison, de maneira que 50% dos nervos devem-se ao tempo que vou perder com isto, percebe?

Risos, sorrisos, olhares cúmplices, então quando é o exame? Novembro. Ah, já falta pouco - comentário que, já agora, só poderia ser feito por quem já passou pela privação H, já que os comuns mortais ficam a olhar de lado, com cara de quem está a pensar "mas ainda falta tanto tempo!"

De referir que até este ponto eu me encontrava a conversar com internos, muito simpáticos por sinal, claramente solidários com a minha causa. Entra o cirurgião, Ah e tal deve ser apendicite, dizem os internos, pelo que o Dr se vira para mim e diz ora então explique lá, ao que eu, voltas que tinha dado aos sintomas na minha mente à procura de um diagnóstico diferencial plausível e menos consumidor dos meus escassos dias de estudo - sem sucesso, como está bom de ver - não consigo responder de outra forma que não a seguinte:
- Olhe, por volta das 6 da manhã comecei com dor abdominal difusa, com algum predomínio no espigastro, acompanhada de vómitos, com posterior localização à fossa ilíaca direita.
O Dr olha para os lados, entre o divertido e o confuso. Os internos explicam: é de Medicina e está a estudar para o Harrison - momento no qual todos na sala, incluíndo eu, começamos a pensar que o diagnóstico diferencial mais plausível seria mesmo um medical student sindrome levado ao extremo da somatização.

(... Continua...)

Read more

29 junho 2012

Olha!, acabei o curso!

Quando era ainda uma teenager inconsciente, a viver em casa dos pais, lembro-me de um dia estar com uma amiga da família que tinha acabado o curso nesse dia. E lembro-me bem das palavras dela: "Nestes anos (os do curso) vivi os melhores e os piores momentos da minha vida". Aquilo ficou-me.

Licenciei-me pela 1ª vez há 7 anos atrás. Na altura sentia-me um pouco perdida, cheia de incertezas quanto ao futuro, tudo há minha volta era mudança - saía da cidade que tinha tornado minha, separava-me dos amigos. Tirar Medicina nem me passava pela cabeça.

Até ao dia em que decidi. Sentei-me à mesa e falei com a minha mãe. Disse-lhe o que queria, o que pensava, quais eram as minhas condições. Perguntei se me apoiava. Ela, sempre realista, falava-me de como seria difícil entrar quando vem de lá o meu pai, lançado, um brilho nos olhos, a festejar como se eu já tivesse acabado o curso.

Nunca vou saber ao certo o que me fez decidir. Costumo dizer que nem todas as vocações se descobrem antes dos 18 anos e continuo a achar que é uma idade demasiado tenra para se decidir uma coisa tão importante para a vida. Sei, sim, que foi preciso uma certa dose loucura. Que coragem que tu tens, diziam-me alguns, e eu ficava surpreendida com o comentário, não me sentia corajosa, apenas a percorrer um caminho que de repente percebi que tinha que ser o meu.

Passaram 6 anos. Seis. Olho para trás, para tudo o que vivi e não, não posso dizer que, se soubesse, soubesse mesmo mesmo o que isto era, faria tudo igual. Foi um leap of faith. Um dia de cada vez de um curso que, no 4º ano, parecia nunca mais acabar. Um dia de cada vez, a aguentar. Perdi e ganhei muito pelo caminho. Foram seis anos em que posso dizer que sim, vivi os meus melhores e piores momentos da minha vida até agora. Um dia de cada vez que me trouxeram ao aqui e agora. E, para o bem e para o mal, não me via em mais sítio nenhum.

Não sabe a mudança. Acabei a licenciatura, mas já tinha feito o mestrado. Tenho a ementa dos próximos meses mais do que definida - marrar, marrar, marrar - e continuo a rir-me desta ironia que é acabar o curso e fechar fechada em casa a estudar, Ena, acabaste o curso, que vais fazer? Estudar!

Mas sabe bem. E o que sabe melhor não é o canudo - é saber que o P, lá do outro lado do mundo, tem hoje um sorriso nos lábios por mim, ele que me apoiou sempre, que nas vésperas de exame me perguntava "mas estás doente?" e levava com o olhar 33, como ele diz, de "eh pah deixa-me mas é estudar" - continuo a perguntar-lhe como é que nunca fugiu de mim, porque eu própria acho que o faria.

E, sobretudo, que os meus pais, incansáveis, estão à minha espera para celebrar. Eu sei o esforço que fizeram por mim, sei que os últimos seis anos também não foram fáceis para vocês. E vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para retribuir da melhor maneira possivel.

Por isso, seis anos depois, o mais importante que tenho a dizer é isto:

Obrigada pai e mãe! 
Read more

20 junho 2012

Wait... What???

Pois bem, agora que o P está fora eu decidi que ficar em casa sozinha com o Mr H todo o dia era demasiado deprimente (no offence, cat) e, naquilo a que se pode chamar uma medida profiláctica contra a depressão e loucura precoces (que elas lá para Novembro chegarão....), achei por bem passar a estudar na Faculdade.

O problema é que esta que vos escreve não tem na capacidade de concentração uma das suas melhores qualidades, pelo que vira folha aqui na mesa ao lado, atende telemóvel ali na mesa do canto, os espaços públicos, mesmo aqueles destinados a actividades menos prazenteiras como estudar, são coisa para me distrair da missão, já de si pouco apetecível, de estudar o Mr H.

Vai daí que teve início uma verdadeira saga de "deixa cá ver se arranjo uma boa música de fundo" (saga essa que, quando não me apetecer estudar, sou capaz de vir cá contar) que me fez chegar a uma playlist do Yann Tiersen que existe no You Tube e eu, que tenho a banda sonora do Amélie mais bem armazenada nos meus neurónios do que qualquer capítulo de Nefro (mas há esperança, há esperança...), achei que era uma boa aposta para embalar o marranço.

Ora às tantas levanto a cabeça e vejo o Sr Tiersen no vídeo, facto imediatamente captado pelo meu olho clínico e pelo meu cérebro guloso de tudo o que não seja informação do Mr H., acompanhado-se tal visão do pensamento "eh lah, queres ver que é jeitoso?", pelo que decido que nada melhor que uma pausa para googlar o nome do Sr em modo imagens - eu já vos disse que me distraio com facilidade, não já?

E eis que me sai esta pérola:


Pesquisas relacionadas: Djalo?!?!?!? Wait.... WHAT???
(experimentem, experimentem!)

Ora considerando que um é cara pálida e outro cara escura, que um é multi-instrumentista e compositor e o outro futebolista, têm nacionalidades diferentes e, bom, vamos esperar que o gosto por mulheres siga o padrão de discrepâncias até agora evidente - expliquem-me lá, a pesquisa é relacionada por causa do Y?

Read more

19 junho 2012

State of mind


Read more

17 junho 2012

Da greve, dos direitos e das palavras dos outros

O direito à greve em Portugal banalizou-se ao ponto de haver sites dedicados exclusivamente a informar o público geral sobre se "hoje à greve". Esse é o 1º motivo para muitas greves provocarem revirares de olhos, suspiros, desabafos de "outra vez". Não deixa, no entanto, de ser um direito que nos assiste.

Não querendo com isto dizer que há greves de 1ª e de 2ª, a anunciada greve dos médicos é, a um tempo, uma defesa pelos direitos da classe e uma defesa do SNS. Luta-se pelos direitos da classe, sim, sendo que um dos direitos defendidos é o direito a uma carreira - o direito a ter uma formação complementar, a ser um especialista, a integrar uma equipa fixa; um direito que, inerentemente, se associa à melhor prestação de cuidados de saúde.

Luta-se pelos termos de contratação, sim, mas também (sobretudo, arrisco) porque estes acarretam uma reestruturação do SNS que vai deixar os portugueses mais mal servidos. Medidas que começam a fazer o SNS implodir.

E é por isso que esta greve terá, antevenho, tanta adesão de estudantes. Não, não vão ser só os Srs Drs a exercer o direito à greve - os alunos de Medicina também vão, parece-me, largar os livros por um dia e sair à rua. Lutamos pelos nossos direitos como futuros médicos, é certo, mas também pelos nossos direitos como utentes do SNS. Lutamos pela manutenção de um SNS para o qual nos estamos a preparar para trabalhar.

Esta greve devia ser uma greve de todos - e é pena que haja quem não queira ver isso.

Esperemos que não chegue o dia em que, enterrado o SNS, não sejamos forçados a abanar a cabeça e a dizer nós avisamos.

Termino com as palavras de quem sabe muito mais disto do que eu - e escreve com muito mais eloquência.

(clicar para ampliar)

(E agora adeuzinho que vou ver o fim do jogo...)


Read more

12 junho 2012

Discurso 10 Junho


Fui a única a reparar nestas caras enquanto Sampaio da Nóvoa dizia "Penso nos outros, logo existo"?
Read more

05 junho 2012

Os tentáculos que estrangulam os médicos

Saíu no Expresso de ontem um artigo de opinião, com o nome "Os tentáculos da Ordem dos médicos" que, para não variar, faz os possíveis por descredibilizar a imagem da classe profissional a que, espero, em breve vou pertencer.

Não vou discutir a questão dos genéricos, uma vez que já vários profissionais me asseguraram que, apesar de a substância activa ser a mesma, alguns - poucos - genéricos têm menos eficácia/ mais efeitos adversos. Outros que não confiam na marca. Outros dizem que não há diferenças. Sinto, por isso, não ter experiência qb para comentar a qualidade dos genéricos em Portugal, mas há factos inegáveis:

- Não há um genérico, há muitos. Logo, ainda que a preço mais baixo, as características do negócio para as farmacêuticas são exactamente as mesmas. Basta uma breve pesquisa no site do Infarmed, aqui - eu pesquisei a Sinvastatina, um fármaco usado em casos de hipercolesterolémia. São 11 páginas de resultados, sendo a maioria dos fármacos colocados em quadros a roxo - o que indica que se trata do genérico. Fazendo uma restrição dos termos de pesquisa (usei como Forma Farmacêutica: comprimido revestido; Dosagem 20 mg, Embalagem de 60 unidades), é fácil perceber que, além de se manter o franco domínio do roxo, o Preço para o Utente dos genéricos varia dos 0,74 aos 8,50 euros - reforço que se trata do mesmo composto activo, na mesma dose, em embalagens com o mesmo número de unidades. Por aqui se percebe que, o facto de o médico não trancar a receita, não implica que o doente compre efectivamente o fármaco mais barato. Porque é que não há um concurso público para a existência de um só genérico?

- Já testemunhei situações nas quais é prescrito a um doente um genérico x, da marca y (o mais barato, ou um dos mais baratos), sendo que o doente volta algum tempo depois dizendo que a farmácia não tem e não pode mandar vir. E para isso dão as explicações mais sórdidas - num dos casos, o medicamento, a ser adquirido na zona da Grande Lisboa, teria de vir de Trás-os-Montes. Ou seja, e adaptando a frase do artigo que dá mote a este texto, a farmácia tem o genérico de determinado laboratório e não de outro. Porque seria?

- É público, como podem confirmar nesta notícia do DN, que as farmácias recebem bónus com alguns genéricos. Na notícia fala-se de promoções na ordem dos "compre 50, pague 100" - sem obrigatoriedade de desconto aos utentes. Residirá aqui a explicação para os genéricos disponíveis e para os que não se podem mandar vir? Mais ainda, num País em que uma boa parte da população não consegue pagar os medicamentos, porque não usar esses bónus para que quem realmente necessite possa beneficiar dos mesmos a custo zero? Será que é porque não dá lucro?


Sobre as vagas em Medicina e a inexistência de um curso nas Universidades Privadas, nem vou falar, esse já foi assunto de um outro post. Peço apenas que, caso o autor do texto tenha o azar de um dia precisar de ser internado num hospital e lhe toque um universitário, tenha a bondade de responder de forma correcta e consistente ao interminável questionário inerente à elaboração de uma história clínica que os alunos, em grupos de 5 e 7, lhe farão a um ritmo de 2 vezes/ dia. Agradeço também desenvoltura para ser visto e palpado dos pés à cabeça, partes pudendas incluídas, o mesmo número de vezes.

Já o comentário de que, quem não teve nota para entrar em Medicina, deveria processar judicialmente o Estado, tem todo o meu apoio, desde que o mesmo seja feito para advogados, arquitectos, veterinários, dentistas, biólogos, filósofos, etc. Onde é que já se viu, ter que lutar, estudar à brava e deixar de lado tanta coisa que, na juventude, era suposto poder viver e experienciar? Aliás, o ideal seria mesmo a existência de passagens administrativas até ao 12º ano e entrada automática para todos os que declarassem sem fazer figas que sentem ter vocação para a área. Só assim seria possível separar o trigo do joio e acabar com estes médicos corporativos (sic), que estudam durante 6 + 1 + 4 anos no mínimo.

Sobre os enfermeiros poderem prescrever, deixem-me que vos diga o seguinte:
- Há, sem qualquer dúvida, enfermeiros nos serviços que sabem mais do que eu. Têm experiência e já sabem qual o medicamento a dar numa determinada situação. Se sabem o porquê da escolha, os efeitos adversos possíveis e interacções, sou franca, desconheço.
- Como aluno finalista do curso de Medicina, sou a 1ª a admitir que não sei fazer prescrições em todas as situações. Se calhar é por isso que a Ordem dos Médicos, aquela dos tentáculos, só me deixa prescrever 2 anos depois de estar inscrita. 
- Ao fim desses dois anos, espero ter prática qb para que todo o conhecimento teórico que adquiri ao longo da licenciatura e que hei-de adquirir posteriormente façam sentido e ganhem corpo. Mas tenho a certeza que, mesmo nessa altura, hei-de ir a correr para os assistentes a tirar dúvidas em alguns casos.
- Se acham que os enfermeiros, com 4 anos de curso e apenas uma cadeira semestral de Farmacologia podem prescrever, pois que o façam se tiverem coragem para isso. Eu cá, quase ao fim de 6 anos, não digo a ninguém para tomar uma aspirina para a dor de cabeça, porque fico logo numa ansiedade extrema a pensar e se tem asma?/ e se tem úlcera e não me disse?/ etc.
- Os cursos de Medicina e Enfermagem são distintos por algum motivo. Cada macaco no seu galho. Eu não sei, nem pretendo saber, fazer o trabalho fantástico que muitos enfermeiros fazem. Não percebo porque é que há-de ser estranho eles não saberem fazer o meu.

Por fim, este artigo tem, temo, o mérito de reflectir e muito a opinião de muita gente. Está tudo a esfregar as mãos de contente com as notícias de desemprego na classe médica, "ai é bem feita, há para todos, não havia para eles, queres ver! Acabou-se-lhes o tacho!" É o espírito Tuga: se eu estou mal, é bem feito que os outros também estejam; ninguém pensa que haver desemprego é mau e ponto final e que o facto de ser transversal a várias habilitações profissionais só mostra o tão mal que estamos.  Mas depois, quando faz falta, é um ver se te avias de Ai Sr Dr, de querer o médico disponível, de sorriso nos lábios e sem tempos de espera a toda a hora, de vénias, se for preciso. Na melhor das hipóteses, os médicos são como os jogadores da selecção: passam de bestas a bestiais num instante. E digo na melhor das hipóteses porque isso é quando corre bem e é dado o crédito ao médico. Na maior parte das vezes é Graça a Deus. Já o desgraçado que teve o azar de estar de serviço quando deu entrada uma vítima grave de atropelamento, há-de ser sempre o incompetente que lhe deu dores nos joelhos e nas cruzes para o resto da vida - porque o condutor embriagado que atropelou a vítima não tem culpa, claro.

Tirar um curso de Medicina não é fácil. Foram muitas as vezes em que parei e pensei que diabo estava a fazer à minha vida. Se ao olhar para trás vejo 6 anos com inúmeras semanas de "não posso" (estar com amigos e família, sair, ler, ir a concertos, ir tomar um café - porque tinha que estudar), agora olho para a frente, com o exame de acesso à especialidade no horizonte, e só vejo um "nem pensar nisso". E digo-vos, 6 anos é muito tempo na vida de uma pessoa. É muito tempo na vida dos nossos. E todos os dias peço que, quando acabar o curso, não seja tarde de mais para muita coisa. Apesar de saber que, depois, vou falhar jantares, Natais e aniversários, vou ser a mãe que nunca está em casa, a filha que está a tratar desconhecidos quando os pais precisam dela; vou ter horas extraordinárias obrigatórias e urgências, trabalhar mais de 24h porque não há saídas de banco, vou ficar até mais tarde porque estou preocupada com o Sr X, doente da cama 7. E isto vai trazer-me, espero, muita coisa boa, vai-me fazer sentir realizada, se não conseguir salvar todas as vidas, ao menos que melhore muitas - mas também me vai tirar qualidade de vida, horas de sono e dores de cabeça.

Se quero ter emprego e uma remuneração acima do ordenado mínimo por isso? Quero. Estudei e estudo, esforcei-me e esforço-me, porque não hei-de colher o fruto do que semeei? Porque não hei-de ambicionar ter poder económico para compensar os meus pais do esforço que fazem a sustentarem-me agora? Há maus médicos? Há! Mas não há maus profissionais em todas as áreas? Porque não dar aos bons senão a recompensa, pelo menos o crédito pelo que fazem?

Porque é que querer trabalhar na área para a qual se estudou, com uma remuneração de acordo com as qualificações e horas de trabalho, é um direito que assiste ou deveria assistir a todos os profissionais e na classe médica é "tudo comer pela ditadura do acto médico"? 
Read more

03 junho 2012

Grown ups

1. Pais que levam os filhos ao restaurante e fazem uma barulheira - os pais, não os filhos - daquelas que dá vontade de fugir dali a correr

2. Mulheres com conversas pseudo espirituais, em volume máximo, num lanche que se procurava calmo, a fazer perceber porque é que há quem diga que um Deus é um amigo imaginário colectivo

3. Celebrações, presumo, em pleno Chiado, a única coisa que ainda vai fazendo acreditar que adultos podem brincar e divertir-se sem má educação nem pseudo intelectualismos histriónicos. A conferir na foto.


Read more

01 junho 2012

Playlists, Curtas & TGIF

1. Pessoas do mundo: mais Gotye com o somebody não sei quê no facebook não, sff. Ou sou a única que sente que 90% do Face já partilhou?

2. Cada vez tenho menos paciência para as pessoas que se gabam a si mesmas. E começo a achar que só têm credibilidade para elas próprias.

3. As Sextas agora têm o sabor especial de countdown. Se vivesse numa caverna fazia tracinhos na parede.

4. Sestas de 10 minutos têm tanto de proveitoso como de masoquista, mas ajuda a lidar com as poucas horas de sono à noite.

5. Estou a fazer uma playlist para me ajudar a manter a sanidade mental nas próximas semanas e futuros meses. Aceitam-se sugestões.
Read more

28 maio 2012

De maneira que é isto


Fuck you, I won't do what you tell me!



E por favor dai-me forças para não deixar de ser assim.
Read more

24 maio 2012

Hold on



(Please)
"Bless my mind. 
I got so much to do, I ain't got much time 
So, must be someone up above saying "Come on girl! You 

got to get back up!!" 
"You got to hold on..." 

E não, não estou só a pedir neurónios para meter neles tudo o que preciso, mas sim, sobretudo, para que nada de importante me escape.

Read more

23 maio 2012

Descubra as diferenças...

At 9Gag

At Mx3's
Read more
 

Mx3 Design by Insight © 2009