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07 maio 2012

Os livros buchas e o The sense of an ending



Um dos motivos para ter decido pôr em suspenso a saga Songs of Ice and Fire foi o facto de serem livros buchas. Não me interpretem mal, se homens não se medem aos palmos, o mesmo se pode dizer dos livros, mas precisava de me sentir a variar de história - de preferência com mais alguma rapidez, pronto.

O problema é que, pelo meio, li 2 livros grandinhos - o Blankets, leitura mais rápida por ser BD e o The Physician - ele próprio gorducho para umas 700 páginas. De maneira que achei que estava com livros buchas a mais no reportório - basta dizer que, até Novembro, estou de mãos dadas (e neurónios, espero) com o Mr. H, o bucha-mor, que ainda por cima é picuinhas - uma combinação sempre explosiva.

Assim sendo, não foi inocente a passagem deste The Sense of an Ending, chegado de fresco da Feira do Livro, para o topo da pilha-de-espera. É que é pequeno, estão a ver?

Em cerca de 150 páginas, Julian Barnes conta, primeiro, uma história da sua adolescência; na 2ª parte do livro,  é de novo confrontado com esse passado a que a memória deu contornos enganosos. É um livro sobre o remorso, o sentido da vida e as escolhas que, ao longo da mesma, vamos fazendo.

Com alguns momentos mais inesperados e capaz de, a espaços, agarrar bem o leitor, ainda assim confesso que esperava mais deste vencedor do Man Booker Prize (sempre uma referência por estes lados) de 2011.

(Entretanto já comecei o Persepolis, do qual ainda só li umas 60 páginas, mas que não está, de todo, a encher-me as medidas... A ver vamos)

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23 abril 2012

O médico de Ispahan


"O médico de Ispahan", previamente conhecido, devido a um erro de tradução, como "O Físico", conta a história de Rob Cole, um rapaz inglês que, depois de ficar órfão, se junta a um Barbeiro-Cirurgião, mentor de malabarismos e artes da cura. É junto do Barbeiro que Rob descobre que tem um dom especial, possível maldição convertida em talento quando ele decide atravessar o mundo para aprender Medicina na Pérsia, com Ibn Sina.

É este o mote para uma longa viagem, uma travessia por diferentes hábitos e culturas, onde a religião tem um papel que é, a espaços, conflituoso e unificador. Numa era em que a Medicina é mais intuída do que científica, Rob / Jesse desafia as leis para tentar descobrir o que causa a  Doença do Lado - uma doença que começa com vómitos e dor na parte inferior direita do abdómen, capaz de matar em poucos dias.

Sendo inegável que, para mim, o livro despertou interesse pela vertente médica e de história da Medicina, não deixa de ser uma boa leitura para todos aqueles que gostem de romances históricos e que queiram saber um pouco mais acerca de diferentes culturas e religiões.

Adenda: Habituada que estou a ler os livros nas suas versões originais e tendo lido a tradução portuguesa deste O Médico..., não deixa de ser triste perceber a fraca qualidade das nossas traduções, que quase me fizeram largar o livro na 2ª página... Sem dúvida uma leitura a repetir daqui a uns anos, mas na versão original.
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27 março 2012

A prova de que ser aluno de Medicina mudou muito pouco ao longo dos tempos

Ao longo dos tempos, o aluno de Medicina sempre fez figura de parvo:

".... e os estudantes de Medicina servem como funcionários no hospital. Os médicos visitam o hospital (...) e os estudantes colam-se a estes homens, que lhes permitem examinar pacientes e propor tratamento. Os médicos fazem intermináveis perguntas instrutivas. É uma esplêndida oportunidade para se aprender ou - mostrou um sorriso azedo - para fazermos de nós próprios uns estúpidos completos."

(O que eu me ri com esta parte...)

Sempre teve a casa desarrumada:

"Ter-lhe-ia agradado tornar a pequena casa (...) melhor (...). O trabalho teria levado alguns dias, no máximo, mas uma hora tornara-se uma comodidade preciosa, e assim os peitoris das janelas continuavam por reparar (...). O homem fez-lhe uma mesa de madeira (...) e uma cadeira de pinho ao estilo europeu. Comprou alguns utensílios de cozinha (...). Para além disso, preocupava-se tão pouco com a casa que poderia ter estado a viver numa caverna".

Não perde tempo com (quase) nada:

"Vendeu o burro e a mula para não ter de perder tempo a tratar deles e a dar-lhes de comer. Comia as suas refeições rapidamente e sem prazer, e na sua vida não havia lugar para a frivolidade."

Adormece por cima dos livros:

"Todas as noites lia até não poder mais, e aprendeu a colocar quantidades minúsculas de azeite nas suas lamparinas, para que se apagassem sozinhas depois da cabeça lhe ter caído sobre os braços e ter adormecido à mesa, sobre os livros." 

E, no fundo, quase que se mata pelo caminho:

"Agora sabia porque motivo Deus lhe dera um corpo grande e forte e bons olhos, pois forçava-se até ao limite da sua resistência ao tentar fazer de si um erudito."

Extractos retirados do livro "O médico de Ispahan", de Noah Gordon, que retrata a vida de um estudante de Medicina no ano mil e tal DC.

Poupei os extractos que provam que os professores também não mudaram assim tanto (estilo, ler 20 livros para ontem) e que tem que se saber muita coisa que não interessa (no caso, Filosofia).
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22 fevereiro 2012

Blankets



Acabei de o ler há uns dias e ainda não estou certa de conseguir transmitir o tanto que este livro me marcou.

Se, por um lado, foi um comic book que descobri por mim (não foi, como é hábito, recomendado por terceiros - que eu não costumo ler bd), foi também uma espécie de amor à primeira vista. Encontrei-o por acaso, peguei-lhe, empatia imediata - e nunca mais me saiu da cabeça.

Blankets é também uma bd fora do normal - não há super-heróis, personagens fictícias ou vilões. Aliás, é uma autobiografia do autor. É um livro como outro qualquer, que podia estar escrito em texto corrido, mas que por mero acaso, foi desenhado, ilustrado - e de uma forma soberba. As palavras são um mero complemento, ainda que marcantes e certeiras.

Os sentimentos têm um cenário que os acolhe, as emoções revelam-se em diferentes padrões que lhes são associados. É quase uma sinestesia onde o 1º amor e a descoberta do "eu", à revelia de uma educação profundamente religiosa, se cruzam a preto e branco num livro que não precisa de cores. Pelo meio, são inúmeras as referências à cultura indie-pop dos anos 90 que surpreendem o olhar atento.

Ao chegar ao fim fiquei triste, porque nunca mais o vou poder ler pela 1ª vez. E isso é o melhor que se pode dizer de um livro. Tornou-se um livro-amigo.

Incerto, a espaços crú, sobretudo ternurento - a apreciar lelicada e completamente, como todos os outros bons momentos da vida. Ainda que sejam temporários. Ou por isso mesmo.
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15 fevereiro 2012

Dos dias...

Jantares com casais amigos, jantares românticos (sem ser no dia de S. Valentim, claro, para ser do contra); cafés, lanches, almoços, conversas. Tempo para os outros e para nós. Estágios, cursos, páginas que se vão lendo do enfant terrible. Passeios, séries em dia, filmes. Surpresas boas, brunch, caminhar lado a lado, de mãos dadas.

Pelo meio ainda tempo para acabar este:

Ler este:
E começar o muito aguardado:
Descobrir músicas fantásticas, como esta:



" And you are the wolf
And i am the moon
And in the endless sky we are but one
(...)
There  will never be a dawn that breaks the spell surrounding us"

E sim, tenho dormido qb, obrigada!

=)
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24 novembro 2011

Acabei o meu 1º "livro num kindle"


E a coisa é para repetir, mas há claramente arestas a limar... Eu explico.

Adquiri esta pérola da tecnologia a meias com a minha cara metade numa loja do aeroporto de Londres, depois de pesados os prós - que para ele, que se farta de ler em transportes, eram óbvios - e os contras - que, claro, vinham de mim.

Confesso que o meu acto de rendição começou uns meses antes, precisamente no metro, quando um passageiro portador de uma tecno-coisa misteriosa que uns minutos depois reconheci como um Kindle se implantou do meu lado direito (um dado altamente relevante... ou não) e eu olhei para o ecrã e gostei. Tem aspecto daquelas folhas de jornal, branco acinzentado - mas sem manchar os dedos.

A história de como comecei a ler o livro no kindle fica para depois, mas em suma, fiquei rendida. É altamente transportável, sim, o que me permitiu ler mais - nas esperas no dentista, nas esperas em cafés, nas esperas em geral e, sim, nos transportes. Pesa pouco, logo ao contrário dos livros consigo levá-lo comigo para todo o lado - e é quase um back-up - se não sei se vou estar à espera, lá vai o kindle para mala, just in case. Ah e na cama também é simpático, evita contorcionismos de punho.

Claro que tenho o livro que li no seu formato real - uma estrutura física, com capa, páginas e cheiro. Claro que comecei a ler o livro - o livro mesmo - antes de o retomar no kindle. Mas depois nunca mais o abri.

Portanto: kindle, sim. Pode-se personalizar o tipo de letra e o espaçamento entre linhas e basta um click para ver o significado de uma palavra num dicionário - o que no meu caso dá um jeitão, porque leio em inglês (há muitas palavras cujo significado é intuído pelo contexto geral, mas agora apanhei o hábito do click para saber o significado concreto - e em livros reais já lhe noto a ausência).

Problemas?

Eu não sei como é por aí, mas eu cá tenho um ritual no que diz respeito à escolha do que vou ler a seguir. Pego numa mão cheia de candidatos, coloco-os em pilha, leio as contra-capas, abro, folheio, cheiro, leio ao acaso. Faço isto com todos até ter um eleito.

E isto tu, Kindle amigo, não me permites (ainda?) fazer.
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03 novembro 2011

A clash of kings - George R. R. Martin

Não tenho muito mais a dizer sobre este livro, além de que "é uma coisa do demo".

Passo a explicar: o facto de cada capítulo ser narrado por sua personagem tem os seus prós e contras. Sim, é diferente e evita que a narrativa se torne tão maçuda quanto as centenas de páginas de cada volume poderia fazer supor a potenciais leitores mais preguiçosos. Por outro lado, faz com que por vezes se perca um pouco não exactamente o fio condutor da narrativa, mas antes aquele efeito de suspense do "what happens next". Se no fim de um capítulo ficamos com aquele feeling de stand by, mortinhos por saber o que acontece depois, muitas das vezes, quando finalmente nos deparamos com um capítulo da mesma personagem (tipo, umas 100 páginas depois), o pensamento é mais "o que é lhe tinha acontecido mesmo?"

Posto isto, se é certo que o A Game of Thrones é um set up, no qual cada personagem assume parece assumir o seu lugar no xadrez dos Seven Kingdoms, neste A Clash of Kings começamos a ter movimentos coordenados das diferentes partes, ainda que sempre com a noção de que a verdadeira estratégia, o verdadeiro jogo, está longe de ser revelado.

Certo é que cada livro, por si só, de pouco ou nada vale, fazendo apenas sentido no todo no qual se engloba.  Não tem princípio, meio e fim; é um pouco como a história do nosso país - temos que a conhecer até ao presente para perceber como chegamos a este estado. Se bem que, neste caso, nem isto nos chega.

E ainda assim, um livro que nem acaba de uma forma muito "excitante", deixa-nos cheios de vontade de continuar com o próximo volume e nos voltarmos a embrenhar no mundo do Bran, do Jon e da Arya, da Daenerys e do Tyrion, para não os perdermos de vista. Da mesma maneira que não queremos perder de vista aqueles amigos especiais *.

(E isto é uma coisa do demo porque eu estou a tentar ler outro pelo meio e não sei se consigo; já lhe chamo a cobaia...).

* O que é mau dado que ficou bem patente no 1º volume que o RR Martin é um sádico masoquista sociopata génio? que nutre menos afecto pelas personagens que cria do que os desgraçados corajosos  crentes  leitores que o seguem.
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26 agosto 2011

A Game of Thrones - adenda

E enquanto eu acabava o 1º livro, o P começou a ler o 5º...

Para já mantenho o auto-controle e não espreito...
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A Game of Thrones - o livro



Quando o P começou a ler A game of thrones, lembro-me de ficar contente - tinha lido algumas reviews e o livro aparecia-me constantemente em recomendações quando procurava livros para lhe oferecer, pelo que tinha a intuição de que ele iria gostar. Muito.

Dito isto, e apesar de os nossos gostos literários se cruzarem, não me lembro se na altura pensei em ler o livro. Penso que me despertou a curiosidade depois, ao sentir a avidez com que ele lia o livro.

No entanto, foi só depois de ver a série que decidi - e tive oportunidade de - pegar no livro e foi por causa dessa mesma série que a experiência de o ler foi tão diferente de todos os livros que li antes. Até hoje, sempre que vi filmes baseados em livros, li sempre o livro 1º. O filme apareceu-me quase sempre por acaso, como um acidente de percurso - e gostei sempre mais do livro, mesmo quando até achei piada ao filme. Do Harry Potter a Bridget Jones, passando por exemplo pelo High Fidelity e Stardust, não existiram excepções. O livro ganhou sempre. Por isso, que tinha eu a ganhar em ler um grande livro (também no sentido literal da coisa), depois de uma grande série (ou não tivesse o selo da HBO!)?

A verdade é que podia ter começado pelo 2º volume da série A song of ice and fire - afinal, já sabia a história, certo? - mas bom, não era mesma coisa. Até porque, quando o decidi ler, estava em exames e tudo o que tentei ler antes ficou a meio, desconfio que pela pressa que eu tinha em pegar neste.

E não me arrependi. No meio da avidez do Verão, com sabor a férias e a despedida, em Inglaterra e depois já em Portugal, o livro andou sempre comigo. Foi, como disse, diferente. Ler um livro tão pouco tempo depois de ver a série tem os seus dissabores. Não se está curioso por saber o que acontece, mas antes à espera de quando acontece. Não se imaginam as personagens - elas já têm uma cara, uma voz; não se descobrem - reconhecem-se. Não senti a avidez de o ler propriamente dita, mas sobretudo a vontade de o acabar - para saber o que acontece depois, claro.

Apesar de a série ser bastante fiel ao livro, lê-lo não foi, no entanto, um desperdício de tempo. As personagens estão mais bem caracterizadas, a história conseguiu, apesar de tudo, crescer um pouco mais em mim. E se é verdade que este 1º livro é claramente uma introdução ao que se adivinha ser o enredo da série, serviu também para me familiarizar com a escrita do George R. R. Martin.

Assim sendo, vou procurar qualquer coisinha leve e muito curta para ler antes de começar o 2º volume - and let the game begin...

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10 maio 2011

Livrosx3

Por coincidência, tive o prazer de ler de seguida 3 livros que são 3 grandes clássicos.

O 1º foi o Shogun, de James Clavell.


Não sendo um livro que, à partida, despertasse a minha atenção, foi-me recomendado e confesso que me surpreender. O Shogun tem no entanto um enorme defeito: não obstante ser grande, acaba. Acaba e deixa saudades, que é a melhor coisa que se pode dizer acerca de um livro. Como a resumo da história podem ler em qualquer lado, acrescento apenas que gostei sobretudo de, através dele, conhecer melhor a cultura Japonesa e a influência que nós, Portugueses, tivemos na história do Japão. Tudo devidamente embrulhado numa história que nunca se torna maçuda. E da maneira como as religiões influenciam os hábitos dos povos. Seja pela aprendizagem, pelas personagens (que saudades da Mariko…) ou pelas expressões, é um daqueles livros que se lê e nunca mais se esquece… Karma neh? (E com ele a noção de Karma ficou também muito mais esclarecida - e mais próxima da minha própria definição).

Seguiu-se-lhe o The Catcher in Rye, do Salinger.



Ao contrário do Shogun, é um livro que estava na minha lista de espera. Aliás, já o tinha, mas deve ter ficado esprestadado a alguém, de maneira que, para o ler, tive que o voltar a comprar. Leitura muito mais leve que o anterior, não nos ensina nada da história, contando antes uma estória de um adolescente. É uma leitura fluida e rápida. Não deixando de ser um bom livro, veio no entanto um pouco fora de tempo. A minha adolescência ter-se-ia dado melhor com ele.

Por fim, The House of God, do Samuel Shem


Este livro é um clássico pelo menos entre médicos e alunos de Medicina e talvez por isso o "clássico" não lhe assente tão bem. Sendo eu da área, torna-se difícil perceber se o enredo da história de Roy, na fase da sua vida em que sai do meio dos livros médicos e passa para o mundo real dos hospitais, terá algum interesse para profissionais de outras áreas.

Para mim, foi um livro marcante. Pela maneira como, no início, me ri da inexperiência dos internos, das piadas e me revi na desorientação típica de quem, pela 1ª vez, tem que ser médico, sem se sentir preparado para tal. Depois, pelo idealismo da cura que vai sendo perdido pelo caminho e gradualmente substituído por uma das famosas leis da House of God: não fazer nada é o melhor que podemos fazer na maior parte dos casos. Por fim, por comprovar o quanto é mais difícil saber quando parar de tratar doentes do que tratá-los inutilmente «; e por ver retratado o efeito que aquilo que se vive quando se é médico tem nos próprios médicos.

Ao contrário do Shogun, do qual não me vou esquecer pelas curiosidades, pelo que nele aprendi e que procurei e procuro incorporar na minha vida, do House of God não me hei-de esquecer nunca, por ver nele retradado aquela que será, cada vez mais, a minha vida.

O livro tem por isso um efeito perverso de projecção, não é apenas uma ficção que termina na última página do livro e da qual só se retém o que se quer. Não, pelo contrário, mostra um caminho duro, muito mais realista do que romanceado.

Pela 1ª vez, precisei de coragem para ler um livro. E espero ter sempre a integridade de não me esquecer do que li.
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02 dezembro 2010

Um dia, de David Nicholls


O livro começa no dia 15 de Julho de 1988 e acaba, precisamente, 20 anos mais tarde, sendo cada capítulo a descrição do dia 15 de Julho de cada um dos anos que entretanto passa, na perspectiva dos protagonistas.

Emma Morley e Dexter acabam de se licenciar e aquele é, literalmente, o 1º dia do resto das suas vidas. Ela, descendente de uma família da classe média, erudita, cheia de idealismos políticos, insegura, quer ser escritora. Ele, menino rico, sem ambições, com vontade de viajar pelo mundo. Nasce por acaso a relação improvável entre o duo, Emma e Dex, Dex e Emma, feita de amizade, amor, ódio, conflitos.

Ao longo dos 20 anos, a vida de cada um eles, os sentimentos que nútrem um pelo outro e pelo mundo, vão sendo contados de uma forma despretensiosa, a descrição de um dia como outro qualquer, nas vida de 2 pessoas comuns, que crescem e amadurecem.

Tocante, envolvente, capaz de despertar gargalhadas ou deixar um nó na garganta, este Um Dia, não sendo propriamente uma grande obra literária, tem o dom como poucos de nos fazer afeiçoar aos protagonistas, sofrer com eles, torcer por eles e, no fim, sentir-lhes a falta.

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