18 fevereiro 2011

Do amor

Há o amor que sentimos, o que sofremos e o que vivemos.

Do amor que sentimos pouco há a dizer. Está lá, acompanha-nos sempre, modula-nos as acções, a voz, as entoações, o olhar, a frequência cardíaca, o tónus muscular, o diâmetro das pupilas; faz-nos sorrir ao tirar um cabelo do rosto, ao ver um anúncio, ao ouvir uma música. Torna-nos nós.

O amor que sofremos é um pouco mais complicado. Sofremos com ele, por ele e para ele. Se sofremos por ele às vezes deixa marcas que podem nunca sarar e, se mal tratado, torna-se numa fonte de ódios e mesquinhez, num buraco no qual caímos sempre ao mínimo conflito, na pedra que nos faz tropeçar over and over again sempre no mesmo sítio, mesmo quando já não está lá. Torna-se numa desculpa para as nossas fraquezas, um álibi das más acções, um "eu só sou assim porque…". Deixa de ser amor, cicatriz ou fantasma do que foi e torna-se no nosso próprio mito individual, ao qual recorremos à falta de melhor desculpa ou quando o pé da coragem nos escorrega no abismo de não assumirmos defeitos.

Já o amor que vivemos - ah, esse! - esse sim, dá-nos tudo. A força, a coragem e a frontalidade; dá-nos o nosso melhor e protege-nos do nosso pior. É feito de grandes gestos, às vezes, mas sobretudo das pequenas coisas do dia a dia, da partilha, do "só para saberes que estou aqui ou que pensei em ti". É feito de estar lá sempre, incondicionalmente, mesmo sem fazer nada; é chorar juntos e é não precisar de palavras. É apoiar sem julgar, é estar sempre de mão dada com o outro mesmo quando fisicamente impossível, é andar lado a lado num caminho que nunca, mas nunca é solitário, mesmo quando não damos conta disso. É olhar para trás e ver sempre o outro nos nossos passos, crescer todos os dias dentro de um corpo projectado onde batem dois corações, é sermos nós, por nós próprios e com o outro, é nunca cobrar o que se dá e ficar sempre agradecido pelo que se recebe. É parar no meio do furacão e conseguir sempre pensar na sorte que temos. É acordar e sorrir, é resmungar pelo espaço na cama, é dividir tarefas; é feito de coisas tão ordinárias, tão comuns, que se torna extraordinário por isso mesmo.

E é bom.
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16 fevereiro 2011

Times like these

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14 fevereiro 2011

Post de São Valentim?*

Apertaste-me nos teus braços e disseste "és minha". E eu fiquei ali, presa no teu calor, refém das tuas promessas em forma de sonhos. Entreguei-me a ti de corpo e alma, abandonei-me no teu refúgio, perdi-me nos teus labirintos confusos.Tentei soltar-me e ser uma vez mais dona de mim. Mas puxaste-me docemente e eu, rendida, soube que continuaria a ser tua...

Até que finalmente acordei e saí dos teus braços, Sono.


* Naaaaaaa!
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31 janeiro 2011

Expliquem-me lá...

Porque é que todos os homens, depois de se barbearem, põem o after shave à bofetada?


Auto-punição? Mania de macho? Síndrome genética de Esbofeteamento Pós Barbeal? :-|
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28 janeiro 2011

Do urgente e do importante

Uma colega minha usa frequentemente como mensagem de status nos chats a citação "Como sempre, o urgente não deixa tempo para o importante". E desde que a li que não consigo pensar em melhor definição para o meu dia a dia. Bem sei que toda a gente tem as suas obrigações, que não podemos andar sempre a fazer o que queremos, que "isso é que era bom!" etc e tal. E sei que tenho sorte, tanta sorte que nem me devia ser dado o direito a queixar-me. Sei isso tudo, mas às vezes custa. Muito.

Custa não saber o que é chegar a casa e poder simplesmente não fazer nada, fazer o que quiser ou me apetecer.  Custa ter semanas a fio dedicadas sempre ao mesmo, fixas, independentes da minha vontade. Custa, sobretudo, não poder às vezes parar o relógio, não poder desdobrar-me e fazer tudo ao mesmo tempo, ver a vida dos outros a moldar-se à nossa ausência; custa ainda mais quando sou forçada a seguir o caminho da razão e não o do coração.

Mas o coração, esse, está sempre com a mesma pessoa, a tempo inteiro. E isso não me tiram.
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24 janeiro 2011

Adenda ao post anterior


Paracetamol superhero is your friend.

:-D
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Dói-me a cabeça. A sério, dói mesmo, não aquela dor de rebentar, mas aquela moínha constante, como o zumbido que fica depois de um concerto mas mais aguda e mais acima.
Depois dói-me a boca toda e os dentes que continuam enjaulados no aparelho, o céu da boca porque ontem me queimei a beber chá chinês, tenho os lábios rebentados do frio e nem camadas mega espessas de batôn dão com a coisa. O creme novo da cara reactivou-me o eczema e o pescoço - ai o pescoço! - dói de cima abaixo e a olhar para qualquer lado. As costas nem se mexem e não tarde têm a marca da cadeira. Já dormia, mas acho que faço 1º outro café, não vá resultar. Ah, e claro, tenho os pés frios.

Pronto, era só isto.

A somatização é fodida tramada.
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